Entrevistas

Ricardo Gandra: “Todos os dias podem ser diferentes”

“‘Perdeu-se’ um técnico de turismo, mas ‘ganhou-se’ um gestor e um produtor de eventos!”

As palavras são de Ricardo Gandra, licenciado em turismo, quando explica a forma como chegou a esta área. O atual produtor de eventos da Eusébio & Rodrigues entrou neste universo “por carolice”. Através de uma amiga da universidade, deu início ao seu percurso na função de guia intérprete na agência Realizar. “Foi durante a Porto – Capital Europeia da Cultura, em 2001, e logo com um recorde do Guinness. Nunca pensei estar dentro de uma guitarra de fado daquele tamanho…” A partir daí, tudo aconteceu com naturalidade.

Ricardo Gandra sempre gostou “do contacto com as pessoas e da valorização de Portugal no exterior, seja com sol, golfe, ondas, francesinhas ou mesmo um megaevento com 500 mil pessoas”. Como fatores de motivação estão ainda “o reconhecimento e a atenção para com o cliente e todas as suas necessidades” e o que a equipa terá de fazer para as obter. “Um princípio, presente na minha check list, sempre que aceito um briefing.”

O produtor de eventos gosta de tudo nesta atividade. “Mas o Dia ‘E’ (Evento) é aquele que ainda não me deixa dormir a 100%, caso tenha tempo para isso… A adrenalina do projeto, desde a sua conceção até sair o último camião no fim do evento, é algo inexplicável”, conta, acrescentando que “a diversidade dos projetos” é algo que também o fascina, “pois desde estádios, cerimónias, futebol, moda, camiões, roadshows, helicópteros, carros de corrida, snowboard, neve, motas, seminários, apresentações de produto...todos os dias podem ser diferentes. Basta o cliente querer”.

E é da mentira e da maneira desleal com que alguns parceiros encaram a concorrência do que menos gosta, não só nesta atividade, como em tudo na vida. “Acho que, neste momento, e após um ano tão complicado, a palavra parceria faz todo o sentido”, adianta.

Fatores sempre presentes: equipas e amizade

São imensas as histórias para contar e, “principalmente quando se faz ‘estrada’, elas acontecem de uma forma natural”. Mas há denominadores comuns em todas elas: “as equipas, o staff, a amizade! Essa, sim, é uma memória que ficará para sempre”, frisa.

Quando desafiado a escolher o evento mais marcante do seu percurso, Ricardo Gandra refere que poderia escolher, entre tantos, o Mega Pic‑Nic na Avenida da Liberdade, em Lisboa, a Cerimónia de Abertura dos Jogos Olímpicos da Juventude ou a CAN 2010...“Mas acho que, pelo espírito de equipa, dificuldades acrescidas pelo espaço e local, o Winter Jam Gouveia 2008 está nos meus favoritos. Um evento desportivo multidisciplinar e super cool”, explica.

O produtor de eventos lembra que “a pressão e os timings são responsáveis por grande parte das falhas nos eventos” e que existem situações que estão planeadas, mas que, no decorrer do evento, se opta por não se concretizarem, o que exige um “esforço extra das equipas para estarem disponíveis no momento”. Um exemplo disso aconteceu na cerimónia das Novas 7 Maravilhas, a 07/07/2007. “Se não fossem as condições atmosféricas adversas, tinha sido giro ver o Estádio da Luz ‘fechado’ com um teto de tecido...”

E quando recorda um momento hilariante do seu caminho, Ricardo Gandra aponta um evento natalício. “Quem visitou o Camião do Natal do Continente cruzou‑se com várias figuras e mascotes ao longo dos vários anos de ação. Em alguns momentos, houve necessidade de os substituir. Quem diria que eu já fui Pai Natal, Popota, Katy ou mesmo o Rescue...Quem lá esteve sabe do que eu estou a falar”, conclui.

Maria João Leite 

 

Tags: Vida de Eventos, Histórias, Profissionais de eventos

21-09-2021