Opinião

Premir o botão certo

Como tantos de vocês, tive a minha quota de experiências digitais nos últimos 12 meses – quer como participante, quer como organizador.

E, sistematicamente, a experiência foi melhorando. A evolução tecnológica cumpriu o seu papel, mas mais importante foi o facto de já reconhecermos este novo mundo por aquilo que é, e não por aquilo que desejávamos que fosse. O digital não pode substituir o presencial, pelo que deve ser usado para o que funciona.

O mundo da organização de eventos está perante uma série de disrupções, com a pandemia sendo a principal, mas não a única. Tecnologia, geopolítica, mudança de comportamento dos membros, novos modelos de negócio, alterações climáticas… todas estas questões impactam na forma como os eventos vão evoluir. Como resultado disso, temos de ser muito muito ágeis enquanto indústria e usar as diferentes plataformas – digital e física – de uma forma em que elas se enriqueçam e forneçam resultados mais ricos para o organizador e para o participante.

O digital definitivamente vai manter‑se, mesmo quando os eventos físicos se possam realizar de novo e é importante preparar esta realidade.

Na minha opinião, o ponto de partida para usar a tecnologia com sucesso é olhar cuidadosamente para os objetivos que o organizador dos eventos quer atingir. Se olharmos para as associações, por exemplo, isto está muitas vezes ligado à missão e ao propósito. E apesar das disrupções sentidas, o propósito das associações é a única coisa que não muda. As associações médicas querem continuar a melhorar a vida dos pacientes, as associações ligadas à tecnologia ainda querem tornar o mundo mais “smart” e as associações empresariais querem estimular o comércio. O que muda é como chegar lá – e os botões que têm de ser premidos.

Primeiro do que tudo, o digital permite a conectividade num mundo em que as viagens ainda vão por algum tempo ser um grande desafio. E ainda que o Zoom não se aproxime de todo da experiência presencial, permite falar com os pares, partilhar conhecimento, ao mesmo tempo que dá o conforto de sabermos que não estamos sozinhos a enfrentar os desafios que se nos colocam. Os organizadores podem marcar a diferença tornando estes encontros com significado, do ponto de vista do conteúdo e do ponto de vista do participante. É este o momento de olhar para as diferentes audiências e distinguir as diferentes necessidades de cada uma delas.

Uma parte da audiência ainda não tinha sido servida, até agora, – por exemplo, por razões económicas – nunca tinham podido deslocar‑se a certos eventos. O que me leva à segunda oportunidade: aumentar o alcance, permitindo ao organizador ser mais inclusivo. Não só isto vai permitir que o conteúdo seja mais disseminado, mas vai permitir contar com vozes que antes não eram ouvidas, e isso enriquece a conversa. Traduzir este input em realidade, amplificando via canais digitais, permite que as comunidades cresçam, em número e no impacto.

E, em terceiro lugar, o digital permite (e algumas vezes força‑nos a) experimentar. É este o momento para sermos audazes e experimentar coisas que nunca imaginamos antes – e ao sermos mais abertos e transparentes a esta natureza experimental, é provável que os participantes entrem a bordo desta jornada consigo. Será como uma aula de cozinha. E tal como sabemos, este tipo de jornada é a que cria amizade mais duradouras.

No entanto, há algo que deve ser evitado. O digital é completamente diferente do presencial. Itens que provaram ser bem sucedidos no mundo físico, podem ser completamente irrelevantes no mundo digital. O teatro não é a mesma coisa do que um programa de televisão – requer uma abordagem diferente, uma gestão diferente, skills diferentes, bem como um mindset diferente. Portanto, encare a realidade digital pelo que é, e não pelo que deseja que fosse. E divirta‑se a testar.

Sven Bossu CEO AIPC 

 

Tags: Opinião, AIPC, Venues

11-06-2021