Reportagens

Lego Serious Play: aprender, a brincar

Podemos descobrir mais sobre uma pessoa durante uma hora a brincar, do que uma vida inteira a conversar. Esta frase do filósofo Platão, traduzida de forma livre, é o mote ideal para descobrirmos a metodologia Lego Serious Play.

O desafio foi lançado à Event Point: experimentar a metodologia Lego Serious Play, numa sessão realizada no Espaço Atmosfera M, no Porto, com um grupo de profissionais de várias áreas. As anfitriãs foram Rita Oliveira Pelica e Fernanda Freitas, ambas facilitadoras certificadas, desde Novembro de 2016, da Lego Serious Play. Mas afinal de que se trata esta metodologia? “Esta metodologia assenta em princípios de design thinking e é a ferramenta ideal para resolução de problemas, apelando à criatividade e ao espírito crítico de quem ‘constrói’. É uma forma de desbloquear conhecimento, através de handstorming e storybuilding”, refere Rita de Oliveira Pelica. A palavra brainstorming já faz parte do vocabulário de todos, mas aqui trata‑se de handstorming.

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Rita Oliveira Pelica

O método é muito prático, “hands on” como sublinha a responsável, e isso foi comprovado com os vários exercícios realizados pelo grupo. A mesa, carregada de peças Lego, as mesmas que fazem as delícias de gerações e gerações desde os anos 50 do século passado, era um convite irrecusável a arregaçar as mangas e começar a construir. “As peças de Lego servem para criar metáforas, conceitos, ideias de negócio, produtos e/ou serviços ‑ de uma forma rápida, criativa e intuitiva”, explica Rita de Oliveira Pelica, sendo que o processo possibilita a melhoria da comunicação nas equipas e organizações, bem como promove a melhoria das performances e a aquisição de novas aprendizagens.

“Não há duas sessões de Lego Serious Play iguais”, esclarece Fernanda Freitas. E enquanto ferramenta utilizada em contexto de team building, “o forte apelo visual, auditivo e cinestésico permite reforçar as ligações entre as pessoas, através da criação das suas histórias e da partilha das suas narrativas – storybuilding e storytelling”. A metodologia dita que se comece a trabalhar o indivíduo para depois partir para a “inteligência colectiva do grupo”, com a criação de um modelo ou protótipo partilhado. Com este trabalho conjunto “há um estreitar de relacionamento entre as pessoas da equipa, ao apresentarem as suas perspectivas, insights e “dores””, refere Fernanda Freitas. A facilitadora lembra ainda que o modelo partilhado é muito democrático, já que todos os participantes intervêm na sua construção. Desse modo “há um ambiente propício para a confiança, uma zona de conforto na qual este vínculo emocional acaba por ser gerador de compromisso e engagement. São as pessoas que produzem o conteúdo, ou seja, o resultado final é da sua autoria”.

O grupo em que estava inserida a Event Point não tinha um problema específico para trabalhar, era uma sessão de apresentação da metodologia. Mas a Lego Serious Play permite intervir em várias áreas. “No nosso caso, e tendo em consideração o nosso background, temos apostado em: processos de recrutamento e selecção; comunicação (interna e externa), cultura organizacional; liderança participativa; personal branding; problem solving; team building; employer branding; retenção de talento; e definição de estratégia”, elenca Rita Oliveira Pelica. Os grupos podem ir até 15 pessoas, idealmente. “Acima disso perde‑se um pouco o “intimismo” da metodologia”, insiste Fernanda Freitas. Em grupos maiores, as duas facilitadoras trabalham em conjunto porque “todas as pessoas das equipas querem experienciar e faz sentido que o façam em simultâneo”.

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Fernanda Freitas

Numa sessão, um pouco mais descontraída, como a que a Event Point teve acesso, foi possível chegar a resultados surpreendentes. Além de uma reflexão interior contínua, foi interessante perceber que nenhuma construção era feita ao acaso. Cada peça e cada acção tinham um significado claro. As facilitadoras foram essenciais no processo que culminou com um modelo partilhado, onde se procurou responder a um problema fictício de um hotel. Ambas podem ser contactadas via LinkedIn e Facebook.

Quatro perguntas a Fernanda Freitas e Rita Oliveira Pelica

Qual é o papel do facilitador?

Rita Oliveira Pelica: Se entendermos a facilitação como a arte de orientar para uma solução, de forma neutra, o papel do facilitador será o de: promover a criação de oportunidades de debate e discussão, em que todos os intervenientes possam contribuir por forma a conseguir‑se um entendimento mútuo sobre o resultado a obter; guiar um grupo para um objectivo colectivo, estimulando a acção colaborativa; orientar para o que é realmente importante, envolvendo todos os participantes no processo generativo de soluções com impacto. Ou seja, assegura o envolvimento e participação dos participantes e garante os resultados apropriados e adequados à situação. Esta é exactamente a preocupação da IAF – International Association of Facilitators: profissionalizar o papel do facilitador, não só em ambiente empresarial e académico, mas também nas organizações sem fins lucrativos.

De que forma é importante envolver os CEO ou o top management em acções como esta?

Fernanda Freitas: À semelhança do que acontece noutros processos de tomada de decisão, quando a gestão está envolvida e comprometida com os temas, os assuntos são mais rapidamente desbloqueados na organização. Neste caso, sendo uma metodologia muito experiencial, começamos por envolver a gestão numa sessão demo. Só assim podem sentir e perceber os reais outcomes [resultados] que podem resultar das sessões de Lego Serious Play. E pode fazer sentido, nalguns casos, estarem a participar em conjunto nas sessões que estão a ser realizadas para as suas equipas.

Que reacção têm tido das empresas que já experimentaram estas sessões convosco? E dos colaboradores?

Fernanda Freitas: Quando nos procuram, as empresas querem algo diferente. Procuram sair dos registos “normais” de formação e de eventos. Conseguimos integrar muito bem estas duas perspectivas: o lado mais “fun” com o pedagógico. Por exemplo, no Natal e no início do ano (Kick Offs) realizámos sessões de reflexão e celebração com Lego Serious Play. Há pessoas e equipas que têm verdadeiros “ahah moments”, descobrem skills e talentos que ainda não se tinham revelado ou até algumas ideias e projectos que acabam por sair da gaveta. As sessões são sempre documentadas com fotos e vídeos dos modelos construídos e da Equipa. O empenho e a sofisticação demonstrados nas construções e os sorrisos no rosto não enganam.

Há alguma história de sucesso que possam partilhar relativamente às vossas sessões de Lego Serious Play?

Rita Oliveira Pelica: De todas as sessões resultam histórias para contar. É incrível o poder da imaginação e das “mãos”. Numa das últimas sessões que tivemos, uma das pessoas que estava em processo de transição acabou por prototipar o seu novo negócio e disse: “acabei de criar a minha empresa”! É muito recompensante ver o impacto que estas acções têm na vida das pessoas e das equipas. Espero que possamos continuar a marcar a diferença desta forma!

Tags: Lego Serious Play, Team Building, Conteúdos

07-06-2018