Formação

International Institute of Protocol: A formação como compromisso social

É impossível falar desta empresa de formação sem falar de Margarida Araújo, a directora.

É impossível falar desta empresa de formação sem falar de Margarida Araújo. Muitas vezes não é possível dissociar os projectos das pessoas e o International Institute of Protocol (IIP) é o produto do espírito empreendedor e da visão da sua directora.

O gosto de Margarida Araújo pela área de organização de eventos começou há 35 anos, quando desempenhava funções no departamento de marketing de uma multinacional inglesa. Aí começou a trabalhar com feiras e eventos e a demonstrar apetência para a área. Muda-se para as Relações Públicas e acumula eventos, um dos quais a Fórmula 1, que a empresa inglesa patrocinava e que em Portugal significava, por exemplo, acolher durante o evento cerca de 600 convidados VIP. As recordações que guarda da empresa são as melhores e os ensinamentos foram vários. “Hoje digo que a minha formação foi anglo‑saxonica em termos de trabalho, porque ainda transporto para o meu trabalho vários conceitos que adquiri lá”, sublinha a responsável da IIP.

Quando a multinacional decidiu centralizar os escritórios em Espanha, Margarida Araújo encarou a adversidade como um desafio. Começou então a trabalhar enquanto freelancer em organização de eventos. “Era uma área de que eu gostava e tive a oportunidade, a sorte, e o privilégio de trabalhar com a Maria João Aguiar, que tinha uma revista de moda e era consultora de eventos, e que me ensinou tudo aquilo que sei até hoje acerca de organização de eventos”. A experiência, de dez anos, foi muito enriquecedora, conforme nos conta. Entretanto, de modo a aproveitar todo o know-how adquirido na gestão de eventos, e detectando uma lacuna formativa no mercado, Margarida Araújo decidiu lançar-se com uma empresa própria na área da formação profissional, para oferecer ao mercado workshops curtos, intensivos e altamente práticos nas áreas atinentes à comunicação e eventos. Por exemplo, quando começou, não havia formação na área do protocolo em Portugal, “nem sequer existia ainda a Lei do Protocolo, portanto sempre que os organizadores de eventos, ou as pessoas da comunicação, fossem organizar um evento no qual estivessem presentes figuras de Estado, tinham que ligar para o Ministério dos Negócios Estrangeiros a pedir apoio”, lembra. Em 1996, o caminho de Margarida Araújo cruza‑se com o de Isabel Amaral, especialista em protocolo, e começa a longa relação de trabalho, sendo Isabel Amaral, hoje, uma das principais formadoras do IIP. “Nos primeiros cursos de protocolo que organizámos, chegamos a levar mastros pequeninos de bandeiras, para fazermos os exercícios. Não existia o powerpoint, ainda se faziam as apresentações com retroprojector, e portanto tínhamos de recorrer a vários tipos de técnicas”. O importante era colocar os formandos a “saberem fazer”.

Aos poucos o IIP tornou‑se naquilo que é hoje: uma empresa de formação profissional, consultoria e coaching, direccionada exclusivamente para a área da comunicação estratégica. “Só trabalhamos a área da comunicação estratégica, que vai desde a gestão de crises, ao media training, ao media relations, ao protocolo, à organização de eventos, à imagem”, esclarece directora. Os formadores são todos seniores, “apostamos em formação de qualidade, com formadores de qualidade, que estejam no mercado e que tenham experiência do terreno, porque só se eu tiver essa experiência de terreno é que posso transmitir como uma dádiva esse meu conhecimento a outras pessoas”, partilha a directora. Hoje, 90% das pessoas que procuram o IIP são colaboradores da Administração Pública, central, regional e local, e que vêm de áreas distintas, deste marketing, à comunicação, passando pelo protocolo, ou pelas relações públicas. Os cursos são maioritariamente em Lisboa, mas também fazem formação no Porto, em Faro, na Madeira e nos Açores. E in‑house, nas empresas, sendo que nesse caso o conteúdo programático é adaptado às necessidades do cliente. “Temos um cliente em que estamos a fazer formação em regime de e‑learning, porque temos de atingir públicos que não estão a trabalhar em Portugal”, refere Margarida Araújo.

Os cursos do IIP são bastante requisitados por profissionais angolanos e moçambicanos. A formação é feita cá, ou então Margarida Araújo viaja até Angola e Moçambique. Esta é uma das vertentes do trabalho que mais aprecia, trabalhar com formandos dos PALOP. “Estão ávidos de saber, são um público muito interessado, muito participativo, jamais se esquecem de nós”, sublinha.

Em relação ao futuro, Margarida Araújo espera que a formação seja olhada com outros olhos, já que hoje, apesar de obrigatória, ela não acontece em muitas empresas. “É importante que as pessoas percebam que a formação é uma mais‑valia, que vão colher benefícios, que vão exercer melhor as suas funções”.

E, por seu turno, espera continuar a oferecer formação de qualidade, porque, ter uma empresa de formação profissional é uma missão. “É um compromisso social que temos para com as pessoas, as chefias, para com nós próprios”.

Cláudia Coutinho de Sousa

Tags: Protocolo, Formação

24-01-2017