Formação

Formação em eventos: que opções?

São várias as opções de formação na área dos eventos. Umas mais específicas e especializadas, e outras que oferecem um conteúdo mais generalizado e de aprofundamento de conhecimento.

A obtenção de competências é cada vez mais importante neste setor, que diariamente enfrenta novos desafios e ciclos. E o saber não ocupa lugar…

A oferta é vasta, proporcionada por diferentes entidades, de centros formativos a universidades. Uns são cursos de duração mais curta, outros de tempo mais prolongado, uns mais práticos, outros mais teóricos, mas todos com a meta de fornecer ferramentas para uma melhor atuação no setor. E sejam novos ou já experientes na profissão, frequentam estes cursos quem quer reforçar o seu conhecimento e as suas capacidades e competências na área.

A Event Point questionou quatro responsáveis por formações em eventos, para conhecer as suas ofertas: Vasco Ribeiro, coordenador da pós‑graduação em Imagem, Protocolo & Organização de Eventos da Universidade Europeia; Nuno Abranja, coordenador da pós‑graduação em Organização e Gestão de Eventos de Negócios, Desportivos e de Animação Turística e diretor do Departamento de Turismo do ISCE – Instituto Superior de Ciências Educativas; João Tovar, diretor da World Academy; e António Fonseca, diretor do Campus do Porto da Restart.

Aquisição de conhecimentos e competências

Vasco Ribeiro, da Universidade Europeia e autor e especialista em Etiqueta, considera a pós‑graduação em Imagem, Protocolo & Organização de Eventos um curso “claramente mais técnico, mais operacional, mais real, em contexto o mais ‘on the job’ possível”, mas que conta com uma componente académica de suporte, “que faz sempre falta”. Frequentam este curso, que não integra no plano curricular a obrigatoriedade de um estágio, alunos com alguma experiência profissional na área, que pretendem “adquirir novas ‘skills’ a nível de imagem, protocolo e eventos”, quer para entrar na profissão, quer apenas para o reforço de conhecimentos; e os professores “apresentam um perfil maioritariamente ‘corporate’ e profissional do que estritamente académico”.

eventpoint
Vasco Ribeiro
 

Nuno Abranja, do ISCE, define a pós‑graduação em Organização e Gestão de Eventos de Negócios, Desportivos e de Animação Turística como um curso “fortemente técnico e muito pouco académico, que qualifica para o domínio da Organização e Gestão Estratégica de Eventos”, com incidência nas atividades de ‘incoming’ e ‘outgoing’ em Eventos, Etiqueta, Protocolo e Imagem, Eventos de Negócios/Corporate e Congressos, Eventos Desportivos e de Animação Turística, por exemplo. O curso, que não inclui estágio ou experimentação em empresas e instituições do setor, proporciona aulas práticas, com três visitas de estudo programadas, um ensino baseado em estudos de caso reais, um corpo docente composto “exclusivamente” por profissionais da área dos eventos, palestras com oradores convidados, entre outras atividades. Frequentam este curso alunos com idades entre os 22 e os 40 anos, licenciados em Turismo, Hotelaria, Animação Sociocultural, Marketing, Desporto e Educação Básica, que pretendem “ganhar maiores competências e domínios na organização e gestão” de eventos em diferentes áreas.

O curso Produção de Eventos e Espetáculos, da World Academy, é, de acordo com o diretor João Tovar, uma formação mais técnica, com o conceito de “aprender a fazer com profissionais do mercado e com exercícios práticos”. Embora a grande maioria dos alunos que o frequentam sejam jovens licenciados em múltiplas áreas, das quais se destaca a da Comunicação, a formação – lecionada por profissionais “experientes” do mercado – é também frequentada por alunos mais velhos, profissionais de outros setores. “A grande maioria pretende entrar na profissão, embora existam pessoas que querem atualizar ou reforçar competências na área”, explica também João Tovar, esclarecendo que o curso inclui estágio curricular para quem estiver interessado e disponível.

eventpoint
João Tovar
 

António Fonseca, diretor do Campus do Porto da Restart, considera que o curso Eventos: Gestão e Produção é uma especialização prática, de caráter técnico e “enquadrado com os desafios do mercado de trabalho atual”. A maioria dos alunos que o frequentam conta já com alguma experiência no setor e pretende “desenvolver competências e destrezas técnicas para poderem evoluir dentro do mercado profissional”. Os alunos são orientados por formadores que desempenham funções de direção ou responsabilidade em empresas e organizações de referência no setor dos Eventos, frisa António Fonseca, que acrescenta que o curso é “eminentemente prático”, com exercícios e experiências reais, culminando com a apresentação de um projeto com todo o processo de implementação de um evento.

Corresponder às expectativas e às exigências do mercado

Na elaboração de um curso em eventos há preocupações a ter em conta e há assuntos que não podem ficar de fora do currículo. Para Vasco Ribeiro, a preocupação maior é que “o plano curricular seja desenhado o mais à medida possível das necessidades do tecido empresarial” e que a formação corresponda às “expectativas dos candidatos”. O coordenador da pós‑graduação na Universidade Europeia destaca como principais tópicos a não esquecer o planeamento e gestão, fornecedores, segurança, catering, patrocínios e media partners.

Os eventos entram, como disciplina, em cursos de setores paralelos como o turismo e o marketing, por exemplo, “até porque são cursos em que a vertente de eventos é bastante forte pelo papel e impacto que têm nestes setores em concreto”. E sobre se o setor necessita de algum tipo de formação que ainda não está coberta pela atual oferta, Vasco Ribeiro acredita que o que existe atuamente “já congrega a formação essencial”.

Para Nuno Abranja, é importante construir um curso que vá ao encontro das principais necessidades formativas do mercado. “Ou seja, quando construímos este curso de pós‑graduação falámos com mais de duas dezenas de profissionais e recolhemos as suas opiniões sobre as principais disciplinas que esta área dos eventos precisava, de forma a não defraudarmos expectativas, quer dos estudantes, quer dos empregadores”. A organização e gestão estratégica de eventos, as atividades de ‘incoming’ e ‘outgoing’, a etiqueta, o protocolo e a imagem, o catering e o banqueting, marketing e vendas, a inovação, as tecnologias e o empreendedorismo em eventos são alguns exemplos citados dos tópicos que não são esquecidos no plano curricular.

eventpoint
Nuno Abranja
 

Segundo o responsável, todos os cursos do Departamento de Turismo do ISCE têm a disciplina de Eventos no seu plano de estudos. Nuno Abranja defende que, “sendo esta atividade um campo de trabalho muito transversal, é imperativo que a sua evolução exija novos conhecimentos e formações constantes”. E, nesse sentido, a entidade está a trabalhar para inserir no curso formações de Língua Gestual Portuguesa, Primeiros Socorros, Organização e Gestão de Eventos Sociais e também de Eventos Culturais.

Ao elaborar uma formação em eventos, a World Academy tem a preocupação de criar um curso “que sirva o mercado, mas que esteja também atento às aspirações e interesses das novas gerações, apontando caminhos para o futuro”, como explica João Tovar, adiantando como essenciais os tópicos: conceção, planeamento, acompanhamento e avaliação, tipologia e diferenciação de eventos, noções tecnológicas e de logística, marketing e promoção, gestão financeira e legislação. O responsável acrescenta que a World Academy conta com vários cursos que têm um módulo dedicado aos eventos e, sobre se é necessário algum tipo de formação ainda não coberta neste setor, refere que “existem áreas especializadas, tradicionais ou emergentes, ainda com pouca oferta de formações”, como eventos nas áreas de Turismo, Desporto, Saúde, entre outras.

Sendo a gestão de eventos uma área “extraordinariamente dinâmica, criativa e desafiante”, e estando o mercado nacional em “franco desenvolvimento e evolução”, as maiores preocupações da Restart passam por “garantir que o curso dá resposta às exigências atuais” e por “dotar os alunos de competências não técnicas que fazem a diferenciação dos profissionais no mercado de trabalho”, como a capacidade de decisão e de resolução frente ao inesperado, por exemplo. De acordo com António Fonseca, tópicos como o planeamento e implementação de eventos ‘indoor’ e ‘outdoor’, produção, marketing, logística e ‘sponsering’ são “fundamentais e imprescindíveis na formação de um profissional do setor”.

eventpoint
António Fonseca
 

Na Restart, há a possibilidade de os alunos escolherem módulos de outros cursos que possam complementar a sua formação e é “comum” que alunos de áreas como a produção musical ou marketing, escolham módulos do curso de eventos, “porque são verdadeiras mais‑valias para o seu desenvolvimento técnico e profissional”. Para o diretor do Campus do Porto da Restart, o setor precisa “de uma formação que ensine os futuros profissionais a serem autónomos, diferenciadores e criativos”, sendo essa “talvez a nossa maior diferenciação enquanto entidade formadora”.

 

Maria João Leite 

 

Tags: Formação, Eventos

05-05-2020