Opinião

Uma oportunidade para o país – Um desafio para os seus profissionais

Trabalhar no setor do turismo é trabalhar num dos setores mais promissores e dinâmicos da nossa economia. Trabalhamos com pessoas e para pessoas. E, numa sociedade em mutação, saber acompanhar as tendências e antever o futuro é a chave para o sucesso de todas as empresas, nomeadamente para quem trabalha na área do turismo de negócios.

O MICE é uma vertente do turismo com cada vez mais relevância no setor. Não somente pelo impacto económico como pelo impacto social. O seu impacto económico é superior ao das viagens de lazer e funciona ainda enquanto promotor do destino, uma vez que os “turistas de negócios” regressam muitas vezes ao destino do evento e/ou recomendam o destino a terceiros. É possivelmente o mercado com maior potencial de crescimento neste setor de atividade.

Existem vários fatores associados ao crescimento MICE nos diferentes destinos e, Portugal está, regra geral, na linha da frente em todos:

Segurança, infraestruturas e serviços de qualidade, a boa relação qualidade‑preço, a flexibilidade dos profissionais, localização dos aeroportos e boas ligações aéreas e, ainda, a capacidade de organização de grandes eventos que tem levado o nome de Portugal além‑fronteiras como a Eurovisão, Web Summit e outros tantos que não chegam às capas dos jornais.

Em Portugal, e de acordo com o [World Travel & Tourism Council] (dados de 2017), o turismo foi responsável por 967.500 postos de trabalho, diretos e indiretos, (20,4% do emprego total), e 17,3% do PIB (33,5 mil milhões) deve‑se ao setor. Deste total, 14,4% é proveniente do turismo de negócios, que deverá ter crescido na ordem dos 3,5% no ano de 2018 e deverá crescer mais 3% até 2028. Todos estes dados revelam a importância e o peso do turismo de negócio no crescimento económico do país.

O planeamento e a organização de eventos surgem também como uma ‘arma’ para combater a sazonalidade turística de que algumas regiões ainda são alvo.

O que se torna cada vez mais necessário e indispensável é criar planos de ação e delinear orientações estratégicas para os intervenientes do setor, imprescindíveis para um melhor aproveitamento das capacidades que o país apresenta enquanto destino para acolher eventos internacionais.

No entanto, as oportunidades também trazem desafios que devem servir para nos levar para outros patamares.

Os desafios são muitos e iremos aqui enumerar apenas alguns:

1. Falta de profissionais qualificados.

Um mal que afeta a economia em geral e em particular a área do turismo, nomeadamente o MICE. Há certamente um trabalho que tem que ser feito ao nível da formação, mas também da valorização das carreiras.

2. Clara regulamentação da atividade definindo o que é uma agência de animação turística, uma agência de Incoming, uma agência de organizadores de eventos e congressos.

3. Uniformização do IVA para uma concorrência leal.

A par destes desafios tangíveis somam‑se os desafios intangíveis que se prendem com a rápida evolução das pessoas, da forma como lidam com as marcas e do impacto que essa evolução tem na organização dos eventos.

O reconhecimento internacional que o destino está a experienciar tem provocado ainda mais interesse por parte dos organizadores de eventos internacionais e é crucial que se consiga dar resposta àquilo que se exige de um destino acolhedor de M&I.

Somos o Melhor Destino do Mundo e o mundo está de olhos postos em nós. É uma grande oportunidade para o país e para as empresas que trabalham neste setor. É também um mundo de desafios que nos espera, mas acreditamos que Portugal tem a capacidade e o know‑how para fazer deste destino o Melhor Destino de Negócios do Mundo…
 

Elsa Diogo, Diretora Geral da Intours, e Célia Oliveira Gestora de Projeto da Intours

Tags: DMC, Intours, Portugal, Destinos, Eventos

12-02-2020