Reportagens

Resiliência, reinvenção e união como aprendizagens da pandemia

Painel 2: “O que aprendemos com a pandemia”.

Participantes: Curadora ‑ Cláudia Lopes (MUD.E); Ana Músico (Amuse Bouche); Jwana Godinho (It’s About Impact); e Tiago Castelo Branco (MOT).

A pandemia exigiu muita aprendizagem pessoal e profissional. Dentro dessas aprendizagens, destacam‑se algumas ideias‑chave: a resiliência do setor, a reinvenção das empresas e a união entre os players da indústria.

“Resiliência é a palavra de que mais me tenho lembrado ao longo deste tempo”, afirmou Tiago Castelo Branco, que, embora frise a resistência e a vontade de vencer, não esconde a existência de momentos de maior ou menor frustração, momentos em que os empresários acreditam mais ou menos num futuro melhor… “Quer dizer, ninguém consegue prever o que é que vai acontecer para a semana e a nossa vida é planeamento.” À resiliência junta‑se a reinvenção. Estas são duas das palavras de ordem do último ano, “o ano de todos os desafios e de todas as aprendizagens”, como disse Ana Músico. E Jwana Godinho lembrou que o facto de sermos cada vez mais globais e de “estarmos todos no mesmo barco” pode até ser uma oportunidade, pois embora longe “estamos tão perto”…

Entre os temas abordados neste painel esteve a sustentabilidade, um tema querido e com muito impacto na vida das pessoas. Ana Músico defendeu que a sustentabilidade nos eventos envolve organizadores, marcas e visitantes. “É preciso planear, definir quais são os pontos em que podemos ser sustentáveis, desafiar os nossos parceiros” e envolver neste processo os participantes do evento. Segundo Tiago Castelo Branco, o público mais jovem já “não admite o contrário” e exige comportamentos diferentes”. Assim, “é uma exigência do público e é uma obrigação do promotor”. Jwana Godinho sublinhou que há uma preocupação cada vez maior “com o local, a todos os níveis”, em termos de fornecedores, de staff, no apoiar “aquilo que é nosso”.

E entre as medidas que podem tornar os eventos, nomeadamente os festivais, mais sustentáveis e amigos do ambiente estão a utilização de copos reutilizáveis, os sistemas de pagamento cashless, as parcerias com as empresas de transportes, a redução da quantidade de brindes distribuídos, por exemplo.

“Um festival é muito mais do que um concerto de música. Toda a ideia de experiência associada é uma coisa de que se fala e de que se vai falar cada vez mais.” Por um lado, ver e ouvir os artistas; por outro lado, a convivência, a interação, as relações entre as pessoas, frisou Jwana Godinho, quando questionada se a pandemia alterou o papel dos festivais. E acrescentou: “Não sei se altera, mas volta a tomar consciência do papel importante agregador e de criação de novas relações humanas que os festivais têm.” Para Ana Músico, “os eventos têm de ser mais humanos”, pois vão “ao encontro das pessoas”.

“O acesso é uma das grandes conquistas”

Para Tiago Castelo Branco, um promotor de eventos “é alguém que constrói sensações” e que se propõe dar ao cliente uma série de emoções. “A pandemia não pode alterar isto”, porque a essência de um festival passa por “podermos fechar os olhos e sentirmos tudo o resto que está à volta”, e os organizadores de eventos estão ansiosos por voltar “a dar esta sensação e esta experiência às pessoas”. Mas há preocupações, como os eventuais danos causados na relação de confiança com o público. “Preocupa‑me, porque nós não podemos dar ao público aquilo que nos comprometemos dar. Isto é uma angústia”, referiu Tiago Castelo Branco.

Com a pandemia, tornou‑se mais fácil chegar a oradores, músicos e outros profissionais. “O acesso é uma das grandes conquistas”, afirmou Jwana Godinho, adiantando que hoje “é possível saber mais e partilhar mais experiências, a partir de qualquer ponto do mundo”. Tiago Castelo Branco complementou, dizendo que “rapidamente percebemos que estávamos todos no mesmo barco, desde o fornecedor do palco ao maior artista do mundo, porque percebemos que isto afetava‑nos a todos”. Há agora mais união entre os players da indústria. “Deixamos de olhar para o nosso concorrente como concorrente. Passamos a olhar para o nosso concorrente como alguém de quem nós necessitamos para, todos juntos, levar o barco a bom porto.”

O Plano B – que pode ir além de todas as letras do alfabeto –, uma potencial alteração dos preços dos eventos e até o que a pandemia representou para o universo feminino foram outros dos temas abordados. Foi lembrado que a resiliência também passou pelas mulheres, muito afetadas pela pandemia, e o papel fundamental que elas desempenham também no setor dos eventos. “Os homens têm uma natureza, nós temos outra, e complementamo‑nos”, sublinhou Ana Músico.

Tags: Reinvent, Evento, Event Point

28-04-2021