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Viagem aos mares profundos dos Açores

O que lhe propomos a seguir é uma experiência verdadeiramente rara e exclusiva: mergulhar nas profundezas do mar dos Açores, até aos mil metros de profundidade.

E visitar por exemplo a cratera de um vulcão adormecido ou os destroços do submarino alemão U-581, afundado durante a II Guerra Mundial.

Isto é possível porque o único submersível tripulado de investigação científica a operar em Portugal está baseado nos Açores, na ilha do Faial. O LULA1000, assim se chama este submersível, pertence à Fundação Rebikoff, e foi lançado em 2013 para apoiar diferentes projectos de investigação científica através da recolha de imagens e de dados. É um de apenas dez que no mundo inteiro têm capacidade para descer até aos mil metros de profundidade ou mais.

Quando não está envolvido em missões científicas, o LULA1000 pode ser alugado para levar um ou dois passageiros a estas profundezas no meio do Atlântico. No programa pode estar a visita ao vulcão adormecido de Mont’Ana, quatro milhas ao largo da Horta. São frequentes os encontros com congros, lulas, destroços, tamboris, tubarões-albafar e outras espécies. Parte deste vulcão está coberto por um recife de corais amarelos, de águas frias, descoberto em 2013 pela equipa do LULA1000.

Um outro programa inclui uma descida aos mil metros, junto às ilhas do Pico ou de São Jorge.

O mergulho começa na encosta de uma das ilhas onde, devido ao relevo, se pode observar uma grande concentração de vida subaquática, tais como espécies pelágicas profundas, lulas, dragões de luz vermelha, peixes víbora entre outros peixes de mar profundo, ctenophoras, alforrecas e outros invertebrados. Muitas vezes, podem ver-se tubarões nas encostas colonizadas por corais de águas profundas e campos de esponjas (poríferos).

Finalmente, aquele que é provavelmente o mais fascinante dos três programas, em especial se se interessa por este pedaço da História: mergulhar 870 metros até aos destroços do submarino alemão U-581, afundado durante a II Guerra Mundial, a 2 de Fevereiro de 1942, ao largo da ilha do Pico.

Os destroços foram localizados pela tripulação do Lula1000 em Setembro de 2016. Hoje, o submarino U-581 é um verdadeiro recife de água fria artificial, colonizado por várias espécies de corais de águas profundas, esponjas e inúmeros outros peixes e crustáceos. Encontra-se em bom estado de conservação, e pode perfeitamente distinguir-se o casco, a torre de comando, o eixo da hélice e as deformações causadas pela detonação das cargas de profundidade que o fizeram afundar. A subida é feita ao longo da encosta da ilha do Pico, que é coberta por um jardim de corais de água fria.

Qualquer uma destas aventuras só está disponível para uma ou duas pessoas em cada viagem. Além disso, a exclusividade paga-se: de 3.000 a 7.000 euros, consoante o programa e o número de passageiros. Ainda assim, esta é uma oportunidade de ver de perto uma das áreas menos exploradas do planeta, o oceano profundo.

LULA1000

Este submersível foi construído pela Fundação Rebikoff- Niggeler (FRN) para ser usado em filmagens subaquáticas de alta qualidade. O LULA1000 é essencialmente uma câmara de mergulho profundo com propulsão, transportando o operador de câmara e o piloto sentados dentro da lente grande angular. A grande vigia de observação, feita de acrílico de 140 mm de espessura, torna-o numa excelente ferramenta de observação e documentação. Uma série de holofotes, estrategicamente colocados, iluminam a área em frente da vigia de observação.

O LULA1000 e a sua equipa já participaram em inúmeras missões nos mares dos Açores, incluindo filmagens para documentários como "Mountains of the Deep", da série "Atlantic" da BBC (2016), e "Ocean -Blue Planet", também da BBC.

Dois pioneiros

A Fundação Rebikoff-Niggeler foi criada em 1994 e é uma organização sem fins lucrativos. Actua na área da produção de filmes sobre a fauna e habitats do mar profundo, e da investigação (biologia, geologia, oceanografia, arqueologia, etc.). Inspira-se e homenageia a vida e obra de duas figuras, Ada e Dimitri Rebikoff-Niggeler, um casal franco-suíço que, entre 1948 e 1991, se dedicou à invenção e ao desenvolvimento de tecnológica e equipamentos de investigação do mundo subaquático.

Tags: Incentivos, Açores

20-10-2017