Entrevistas

Chocolate Box: “Para ser surpreendente, uma viagem tem de ser surpresa”

Entrevista a Inácio Rozeira, fundador da Chocolate Box, uma empresa que promove viagens com destinos surpresa.

Inácio Rozeira, empreendedor no mercado das viagens há quase dez anos, lançou a 31 de Outubro a Chocolate Box, uma empresa que promove viagens com destinos surpresa. Ao tirar o destino do planeamento, consegue-se “devolver a emoção” a uma viagem. É um projecto inovador com espaço no mercado quer para o cliente tradicional, quer para o empresarial.

Muitas empresas apostam nas viagens de incentivos para premiar os seus funcionários e esta oferta apresenta-se como uma mais-valia, uma vez que, além da surpresa, há toda uma experiência a ser saboreada – tal como numa caixa de chocolates. E a Chocolate Box propõe-se a proporcionar a surpresa e a emoção da viagem.

Em entrevista à Event Point, Inácio Rozeira explica como surgiu o projecto, o que este proporciona e de que forma pode vingar no segmento de negócios.

 

 

Como surgiu a ideia da Chocolate Box?

Trabalho no mercado das viagens há quase dez anos e há quase duas décadas que viajo frequentemente. Quando entrei neste mercado, verifiquei que o mercado das viagens, em termos de conceito, está perfeitamente estagnado. Embora, em alguns aspectos, tenham surgido algumas agências de viagens com projectos mais arrojados ou inovadores, nós sabemos que viajamos tendo em conta as mesmas variáveis desde sempre. Isto significa que sempre que pensamos numa viagem há três coisas que temos em conta: sabemos quando vamos, para onde vamos e quanto vamos gastar. Ora, é nesta fórmula estagnada que surgiu a Chocolate Box. Os jovens que acabam o 12º ano, nos dias de hoje, já não vão para a Riviera Maia ou para a República Dominicana. Esses jovens partem, com 18 anos, para dar voltas ao mundo. Assim sendo, como é vamos devolver a emoção da primeira viagem? A resposta é simples: tiramos o destino da equação. Só assim é que se consegue devolver a emoção a uma viagem. Nós, enquanto viajantes, viajamos emocionalmente a partir do momento em que marcamos o nosso bilhete. Se tirarmos o destino da equação, essa emoção será exponencialmente superior.

 

Como tem sido o feedback?

Muito bom! Arrancámos no dia 31 de Outubro e sabemos que os primeiros meses são importantes para explicar um conceito tão diferente de viajar. Mesmo assim, temos 60% do nosso objectivo inicial alcançado e as primeiras pessoas já andam a ser surpreendidas em cidades europeias. Assim sendo, no final de Fevereiro contamos ter atingido o nosso objectivo e ter atingido o ‘break even’ em tempo recorde. Na prática, não deve haver muitos negócios nesta área que atinjam o ‘break even’ em quatro meses.

 

O que é que este projecto significa num mercado das viagens que, como já referiram, está “saturado”?

É o único projecto que significa inovação. Nós viajamos, há décadas, sempre da mesma maneira. Podemos mudar o meio de transporte, o tipo de alojamento ou mesmo a maneira como abordamos o destino, mas na realidade é sempre da mesma maneira. Um dia compramos e sabemos para onde vamos e no outro dia partimos para o local que escolhemos. O mundo, nos próximos anos, continuará a surpreender-nos, mas visitar uma tribo na África Austral já será muito mais generalizado do que é hoje. Aliás, nos dias de hoje é exponencialmente mais generalizado do que nos tempos em que o Serpa Pinto deambulou por lá. Daqui a 20 anos, os jovens já viram isso tudo, já experimentaram, já tocaram em todas essas experiências. E viajar é emoção. Para ser surpreendente, uma viagem tem de ser surpresa.

 

De que forma esta pode ser uma aposta das empresas e uma mais-valia no segmento de negócios e das viagens de incentivo?

A Chocolate Box tem de sobreviver a um teste de conceito. Se não sobreviver é sinal que o mercado não gosta de comprar uma viagem sem saber para onde vai. Não somos arrogantes em achar que isto vai ter um sucesso tremendo. Por isso, definimos um período de teste de conceito, de tubo de ensaio. Além disso, a Chocolate Box foi pensada desde o início como um produto fechado, com um preço fixo. Para além de ser muito mais interessante para o consumidor, permite-nos jogar com campanhas promocionais e apresentar condições mais vantajosas para clientes que tragam volume. Em relação ao cliente empresarial, pensamos que este tipo de cliente está à procura de programas de incentivo que premeiem a rentabilidade e o bom desempenho, que sejam inovadores e que se concretizem fisicamente. Ora, uma viagem tradicional, concretizada num voucher, é um produto inacabado, obsoleto e nada surpreendente. Se as viagens são para trazer emoção, o nosso cliente empresarial poderá oferecer aos seus mais rentáveis colaboradores uma tablete dos melhores dos chocolates. Assim, durante a explosão de sabor que um chocolate de excelente qualidade proporciona, o colaborador poderá sentir a emoção de um bilhete para um destino surpresa, para uma viagem para qualquer data. Assim a empresa não lhe está a dar um vale no valor de ‘x’ euros, está a premiá-lo com uma experiência completa.

 

Há algum pacote feito “à medida” das empresas?

Não, o nosso pacote é um pacote acabado que proporciona uma experiência única desde o momento da compra até ao momento do regresso. É um pacote fechado, de três dias, com voos directos, com alojamento de qualidade acima da média (4 ou 5 estrelas), com a oferta de uma máquina fotográfica e com um guia de bordo com informações personalizadas para o utilizador. As condições financeiras de acesso ao pacote é que podem ser diferentes.

 

Maria João Leite

Tags: Entrevista, Viagens, Incentivos

09-01-2017