Entrevistas

O improvável destino de Claudia de Vasconcelos

Claudia de Vasconcelos foi desafiada pela imprevisibilidade dos eventos e pela pandemia, mas não desistiu de trilhar o imprevisível caminho de quem estudou Engenharia Civil e está agora à espera do fim do lockdown na Grécia para tirar os projetos do seu caderninho.

Nasceu no Porto e a opção pelo curso de Engenharia Civil não deixaria, à primeira vista, adivinhar o futuro profissional de Claudia de Vasconcelos. Mas quem a conhecia não terá ficado totalmente surpreendido. “Desde cedo sempre gostei de organizar as festas de aniversário, meetings com amigos...e adorava fazer a gestão do evento, desde a lista de convidados, enviar convites, fazer a gestão dos custos, pesquisa de fornecedores mais baratos”, recorda. Nessa altura, e apesar de uma amiga ter sugerido que enveredasse pela organização de eventos, encarava esta atividade como um passatempo e mantinha‑se focada na Engenharia Civil.

2008 seria o ano em que este foco começou a mudar: “Fui convidada para organizar um concerto com bandas amadoras num bar. Foi o primeiro evento que organizei fora do contexto familiar ou de amigos.”

“Apesar de uma grande paixão pela música e pelos concertos, a minha experiência com bandas era nula, pelo que muitas das decisões foram feitas na base do bom senso e, como é lógico, falhei redondamente em inúmeros detalhes. Mas não terá sido uma falha assim tão grande, uma vez que o dono do bar contactou‑me para fazer um segundo concerto”, recorda.

As bandas e o público ficaram satisfeitos com o seu trabalho, o que a levou a pensar em transformar o hobby em profissão. Juntou‑se ao amigo e músico Nelson Oliveira e formaram a Luta Sistemática que, durante o ano de 2009, organizou concertos de bandas amadoras. Com a música como motor, surgiu ainda outra ideia: a organização de excursões para festivais e concertos em Portugal e Espanha, atividade que se manteria durante vários anos.

A opção pelos eventos

A Engenharia Civil foi ficando pelo caminho, até porque a oferta profissional nessa área era bastante limitada. Os dez anos seguintes seriam já longe das obras, mas a fazer outro tipo de planeamento: “A Luta Sistemática estava no seu auge, pelo que aprofundar conhecimentos na área pareceu‑me mais do que fundamental. Em 2013, ingressei na Escola de Hotelaria e Turismo do Porto, no Curso de Gestão de Turismo. Fiz o meu estágio na The House of Events. No final, fui convidada a integrar a equipa e permaneci até 2019.”

Entretanto, nunca deixou de tentar aprender mais. Em 2016, frequentou o Master Executivo de Gestão e Organização de Eventos da Associação Nacional de Jovens Empresários e, em 2020, o curso Wedding Planning Certification e Events Management Certification, promovidos pela New Skills Academy do Reino Unido.

No fim de 2019 fundou a sua própria marca, 3C Events, com o objetivo de realizar pequenos eventos sociais.

eventpoint revista eventos turismo negócios

O caminho para a Grécia

A ida para a Grécia foi uma consequência da experiência profissional anterior. “Na The House of Events era responsável pela organização das viagens de incentivo e foi onde consolidei todos os conhecimentos aprendidos, onde explorei o meu lado mais criativo e tive os primeiros contactos com outras culturas no âmbito profissional. Este contacto fez crescer em mim uma curiosidade em saber como outras culturas organizam os mesmos eventos que eu. Em Portugal, oferecemos bacalhau e fado, viagens de elétrico e de barco rabelo, trabalhamos de uma determinada forma, fruto da nossa cultura… Mas e em Espanha? No Reino Unido? Na Grécia? Que soluções oferecem para o mesmo tipo de eventos que fazemos em Portugal?”.

Enquanto organizava pequenos eventos com a 3C recebeu uma proposta de trabalho para a DMC Liberty International, em Atenas. Começou a trabalhar em janeiro de 2020 e, dois meses depois, devido à pandemia, acabou por ser despedida.

Apesar da curta experiência, conseguiu perceber “alguma diferença no método de trabalho”.

“É uma cultura mais relaxada em comparação com a portuguesa mas, ao mesmo tempo, mais burocrática. Mas, como têm noção disso, disponibilizam‑se muito para ajudar e tentar acelerar processos”, revela. Diz também que “a diferença salarial entre géneros continua a ser um problema transversal a ambos os países, e não só, apesar do turismo ser uma das áreas profissionais na Europa com maior empregabilidade do género feminino”.

O último ano foi desafiante para o setor. Claudia de Vasconcelos acredita que a pandemia já mudou os eventos, obrigando à criação de novas soluções. Fala, por isso, numa “alteração de conceitos e de tipologias de eventos”, dando como exemplo o seu próprio caso.

“Quando a pandemia foi oficialmente declarada, desenvolvi uma oferta de eventos online. Em maio de 2020 terminou o lockdown na Grécia e iniciei os Meetings Foreign Women Living in Athens e Foreigners Living in Athens. Nestes meetings conheci várias pessoas de diferentes partes do mundo e travei algumas parcerias para outros projetos.” Acabou por organizar noites temáticas e outros eventos, sempre com a capacidade limitada.

Mas o final de 2020 trouxe nova alteração de planos: “Em novembro de 2020 iniciou‑se um novo lockdown, que ainda hoje permanece, pelo que mantive apenas a oferta de eventos online.”

“Com a situação atual torna‑se muito arriscado fazer planos a longo prazo. Pretendo explorar ainda mais o turismo na Grécia a nível profissional, dado que não tive a oportunidade, mas tudo depende dos impactos da pandemia a médio prazo”, reconhece.

Com o desconfinamento planeado para maio, Claudia espera regressar aos pequenos eventos e ao que mais gosta de fazer: “No caderninho das ideias estão outros projetos que a seu tempo serão promovidos.”

 

Olga Teixeira 

 

Tags: Passaporte português, Congressos, Eventos

01-07-2021